O posicionamento do presidente do PT no Acre, Daniel Zen, defendendo uma candidatura única da Federação PT, PCdoB e PV ao Senado, já cravando o nome de Jorge Viana, traz questionamentos importantes sobre o método e a estratégia do partido para as eleições de 2026. Será que o PT realmente aprendeu com os erros do passado ou apenas busca evitar disputas internas sem um debate mais amplo??
A história recente do partido no estado mostra que, em outros momentos, as candidaturas eram construídas a partir de discussões coletivas, onde os nomes surgiam naturalmente após avaliação das conjunturas e das possibilidades reais de vitória. Esse modelo foi sendo substituído por definições antecipadas, como ocorreu na candidatura de Marcos Alexandre e na escolha do vice em eleições passadas, onde as plenárias se transformaram em meras formalidades para chancelar decisões já tomadas.
Jorge Viana tem um legado inegável, com um histórico de trabalho e grande votação, mas também enfrenta resistências, principalmente devido à percepção de que erros de diálogo e de centralização de decisões contribuíram para suas derrotas. Impor seu nome sem um debate mais profundo pode ser um erro grave, repetindo a falta de sintonia entre a cúpula do partido e a base militante, e isso o mais prejudica e fortalece o discurso do EU, do que constrói pontos para o nós, juntos.
Outro ponto crítico é a possível renúncia do PT a uma candidatura ao governo do Acre. Se isso se confirmar, estaríamos diante de um partido que deixou de ser a alternativa de mudança para se tornar apenas mais um grupo em busca de poder, sem um projeto claro para o estado? A arte da guerra e Maquiavel ensinam que uma estratégia eficaz parte da leitura cuidadosa do cenário antes de definir os protagonistas. Priorizar nomes antes de discutir o contexto eleitoral pode ser uma abordagem míope e arriscada.
O que o PT precisa debater, antes de definir qualquer candidatura, é qual será seu papel no Acre em 2026. Quais são as reais condições para disputar o governo e o Senado? Quais alianças estratégicas devem ser construídas? Qual será a mensagem política que irá apresentar ao eleitorado? Não teria o PT outros nomes a serem apresentados? Ah, certo, até tem, mas esses não querem. Mas não deveriam esses afirmarem publicamente? Por que alguns são nos bastidores lembrados, ovacionados e se escondem, fugindo do partido? Somente após essas respostas os nomes deveriam ser discutidos e escolhidos coletivamente, resgatando o espírito democrático que, em outros tempos, foi a marca do partido.
Se o PT quiser ser protagonista, precisa abandonar as decisões de cúpula e voltar a construir suas candidaturas com base na participação ampla de sua militância e de seus aliados. Caso contrário, corre o risco de cometer os mesmos erros do passado e, pior, se tornar apenas mais um partido focado no poder pelo poder.