Sem uma política de comunicação eficiente, órgãos federais nos estados, como o DNIT-Acre, falham em garantir o reconhecimento do governo Lula
Em meio à crise de infraestrutura na travessia do Rio Caeté, na BR-364, a mobilização do prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, ao lado de outros prefeitos, empresários e representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT), expõe uma dinâmica política que se repete no país: lideranças locais assumindo protagonismo diante da ausência de uma comunicação eficaz do Governo Federal.
Zequinha Lima reuniu, na noite da última quarta-feira (29), prefeitos de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, além de vereadores, empresários e representantes da sociedade civil para discutir soluções para a ponte interditada pelo DNIT. No encontro, o superintendente do órgão, Ricardo Araújo, garantiu que a estrutura não será demolida e que um novo modelo de ponte estaiada será construído, com previsão de início das obras em julho.
A iniciativa do prefeito é um reflexo da falta de coordenação e visibilidade das ações do governo Lula, que tem investido em infraestrutura pelo país, mas frequentemente vê políticos locais capitalizando os avanços sem dar o devido crédito à União. O deputado federal Zezinho Barbary destacou a necessidade de mobilização para garantir os recursos da obra junto ao Governo Federal, mas a narrativa predominante no encontro reforça a impressão de que a solução parte exclusivamente das lideranças locais.
Oportunismo político?O caso de Zequinha Lima é emblemático. Ex-militante da esquerda, o prefeito tem um histórico político controverso. Sua esposa, Lurdinha Lima, filiou-se ao PL durante a última eleição, consolidando a guinada ideológica do casal, que já foi rotulado como “comunista” em tempos passados. Esse reposicionamento revela a dinâmica de um pragmatismo político que se aproveita do vácuo de comunicação do governo federal para se consolidar como protagonista local.
O problema estrutural da BR-364 é uma questão nacional, e a solução parte do Governo Federal, que aloca os recursos e define as diretrizes. No entanto, a falta de uma política de comunicação eficiente permite que lideranças municipais como Zequinha ocupem esse espaço, apropriando-se de iniciativas federais sem reconhecimento ao governo de Lula.
Enquanto isso, os moradores do Vale do Juruá aguardam soluções concretas, em meio a disputas narrativas e reposicionamentos políticos de quem antes combatia o bolsonarismo e hoje se alinha ao campo adversário. Resta saber até quando o Governo Federal permitirá que sua imagem seja esvaziada em regiões onde suas obras são essenciais para o desenvolvimento.
Artigo de Leônidas Martins (pseudônimo)