Crítica à gestão da educação municipal em Rio Branco ganha força na Câmara
A educação municipal de Rio Branco foi alvo de críticas durante sessão na Câmara de Vereadores nesta terça-feira (4). O vereador André Kamai (PT) denunciou a falta de prioridades na gestão do prefeito Tião Bocalom, apontando problemas estruturais e administrativos no ensino público municipal.
“A prefeitura de Rio Branco virou um ambiente única e exclusivamente de disputa de poder. A educação é só mais um nicho de poder”, afirmou Kamai. Ele criticou a priorização de obras em detrimento da educação. “Ninguém me convence que um viaduto é mais importante que uma escola. Ninguém me convence que botar chafariz debaixo de viaduto é mais importante do que contratar professor.”
O vereador relatou problemas estruturais em escolas municipais. “Eu fui numa escola lá no Polo Hélio Pimenta e fiquei assustado com o que vi lá. Uma escola com uma sala de aula de PVC”, denunciou. Kamai afirmou que encaminhou pedidos de investigação ao Ministério Público e ao Ministério Público Federal sobre denúncias de assédio moral e irregularidades na administração da educação municipal. “Estou reiterando com a entrevista da professora Nabiha, que leva, além das questões de direitos humanos, de assédio moral, denúncias de crime eleitoral e corrupção.”
Na mesma sessão, a professora Roselane Araújo, que leciona há 15 anos e representa o cadastro de reserva de professores, criticou a ausência de nomeações de concursados. “Desde então, nós temos visto o nosso direito negado pela atual gestão”, afirmou. Segundo ela, a prefeitura tem priorizado contratações provisórias em vez da efetivação de professores aprovados em concurso público. “Existem professores hoje, provisórios, atuando na prefeitura com um certame que já venceu, o certame está vencido, e esses professores estão dentro da SEME”, declarou, lembrando que seria um caso de improbidade administrativa.
Roselane destacou a rotatividade de professores como um dos principais desafios da rede municipal de ensino. “Todo ano é assim, um professor novo. E aí se investe dinheiro em formação e no outro ano um novo professor”, criticou. Ela relatou que, para garantir a alfabetização de seus filhos, precisou pagar aulas particulares. “A população está cansada de pagar professor para alfabetizar seus filhos. Nós pagamos impostos e temos esse direito.”
A professora também denunciou a falta de prioridade na recomposição da aprendizagem, necessária para mitigar os impactos da pandemia. “A recomposição da aprendizagem foi impedida por um pastor, que queria montar um lugar para dar aula. A aula, gente, de primeiro a quinto ano é o professor presente mostrando a necessidade do aluno. Foi impedida e a recomposição da aprendizagem só aconteceu no quinto ano”, afirmou.
Kamai enfatizou que a mobilização popular será essencial para que mudanças ocorram. “E eu peço a vocês, professores, do mesmo jeito que vocês pediram a nós, total solidariedade e contem com a minha solidariedade e a minha luta aqui dentro, mas essa mobilização que vocês fizeram aqui vai ser necessária muitas vezes. Muitas vezes. Porque muitas vezes é a pressão popular que resolve os problemas.”