Chega de enrolação

Tem hora que o povo se cansa. E no caso de Gladson Cameli, o que muita gente no Acre sente é exatamente isso: cansaço. Cansaço de ver processo andando devagar, cansaço de ver discussão girando em volta de detalhe técnico, cansaço de ver mais movimento para adiar do que para esclarecer.

Vamos falar com honestidade: todo acusado tem direito de se defender. Isso está na Constituição e tem que ser respeitado. Ninguém pode ser condenado no grito, na fofoca ou no palpite. A lei exige prova válida, contraditório e julgamento justo. Isso é básico. Isso é civilização.

Mas também não dá para fingir que o povo é besta.

Uma coisa é a defesa usar os meios legais para apontar erro de procedimento, abuso ou irregularidade. Isso é direito. Outra coisa é passar para a sociedade a impressão de que a estratégia inteira se resume a isso: protelar, empurrar com a barriga, tentar anular prova, levantar nulidade aqui, recurso ali, e o principal mesmo, explicar de forma convincente os fatos, ficar sempre para depois.

Aí complica.

Porque quem olha de fora começa a pensar: “Tá, mas e a defesa do mérito? E a explicação clara? E a resposta direta para as acusações?” Fica parecendo aquela velha conversa de quem não enfrenta o assunto de frente, só vai rodeando, rodeando, rodeando, até ver se o tempo resolve o que a verdade ainda não resolveu.

E o tempo, nesse tipo de caso, não limpa a biografia de ninguém.

É importante deixar uma coisa no lugar certo: juridicamente, ninguém pode tratar culpa como definitiva antes da decisão final da Justiça. Presunção de inocência existe e precisa valer para todo mundo, inclusive para o governador. Agora, politicamente e moralmente, a régua é outra. Quem ocupa cargo público alto não deve satisfação só ao juiz do processo. Deve satisfação ao povo que confiou nele.

E é aí que mora o problema.

O acreano pode até ser paciente, mas não gosta de enrolação. O povo entende quando alguém diz: “sou inocente e vou provar”. O povo entende quando alguém enfrenta acusação de cabeça erguida, apresenta versão, rebater ponto por ponto, mostra documento, explica fato, responde com clareza. O que o povo não engole fácil é esse ambiente de defesa que parece viver mais de manobra do que de explicação.

Se houver prova colhida de forma errada, que a Justiça corrija. Tem que corrigir mesmo. Processo legal não é enfeite. Só que também é preciso dizer, sem conversa fiada: nulidade de prova não é atestado automático de inocência. Uma falha de rito pode invalidar um elemento específico, mas não apaga por mágica toda a gravidade do caso nem resolve, por decreto, a dúvida da sociedade.

No fim das contas, o que muita gente quer ouvir é algo simples: qual é a verdade?

Se Gladson Cameli é inocente, então que prove sua inocência de modo firme, claro e objetivo. Se há outros responsáveis, que isso apareça. Se houve armação, que seja demonstrada. O que não dá é para o processo virar um jogo de empurra sem fim, enquanto o povo fica assistindo da arquibancada, pagando a conta e esperando uma resposta que nunca vem completa.

Política não pode virar esconderijo atrás de formalidade. Lei é coisa séria. Defesa é coisa séria. Justiça é coisa séria. E justamente por isso mesmo, a sociedade tem o direito de esperar mais do que esperteza processual. Tem o direito de esperar transparência.

No popular: menos lero-lero e mais clareza.

Porque, no fim, o povo do Acre merece respeito. E respeito, numa hora dessas, não é discurso bonito nem nota de advogado. Respeito é encarar os fatos, enfrentar o processo com seriedade e parar de achar que empurrar o caso mais um pouco vai resolver o desgaste. Não vai.

Pode até adiar sentença. Mas não apaga a cobrança. Mas uma coisa é certa, no popular ou como diria capitão Nascimento, vai dançar! Ops é , “Perdeu, perdeu!” 

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