O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para criticar a gestão do governo Gladson Cameli, destacando a falta de planejamento e execução das políticas públicas em áreas essenciais como saúde, educação e habitação.
Magalhães iniciou sua fala apontando a situação da saúde pública no estado. “Nós estamos os campeões de dengue”, afirmou, destacando que, apesar dos recursos disponíveis, a gestão não conseguiu conter o avanço da doença. O Acre tem a maior incidência de dengue do país em relação ao número de habitantes. Para o deputado, o cenário é resultado da falta de ação do governo. “Isso é um atestado de ineficiência, deixar chegar no descontrole que nós estamos”.
Na educação, o deputado criticou o desmonte de conquistas históricas e os problemas no concurso público da Secretaria de Estado de Educação (SEE). “O que fizeram com a Educação foi uma covardia. Se retirou conquistas de décadas [tabela do PCCR]. Se prometeu retomar no primeiro ano, não fizeram, se prometeu retomar no segundo ano e não fizeram e está entrando o terceiro ano sem uma solução”, disse. Magalhães também condenou a permanência da banca examinadora do concurso, apesar das falhas na aplicação das provas. “O maior concurso da história é marcado pela fraude. A mesma banca permanece para realizar o mesmo concurso com as mesmas regras. Não vai dar certo. Vamos ter um excesso de judicialização por parte dos candidatos”.
O parlamentar também questionou a ausência de investimentos efetivos na habitação, apontando a falta de entrega de unidades habitacionais mesmo com recursos disponíveis. “Há dinheiro para moradia, especialmente após o relançamento do Minha Casa, Minha Vida, mas as unidades prometidas pelo governo ainda não foram entregues”.
Além disso, Magalhães criticou a ineficiência do governo em utilizar os recursos que recebe. “A arrecadação aumentou, esta Casa aprovou todos os empréstimos pedidos pelo governador, e o presidente Lula envia recursos com generosidade. Mas quanto mais o orçamento cresce, menos o governo executa a parte do investimento”.
Ao avaliar a gestão, o deputado destacou a priorização de cargos comissionados em detrimento de equipes técnicas qualificadas. “O governo priorizou a contratação de cargos comissionados, sem observar a necessidade de equipes técnicas para execução dos projetos e recursos captados”, afirmou.
Edvaldo Magalhães ressaltou que a oposição tem o papel de cobrar soluções e garantiu que continuará atuando nesse sentido. “Nós sempre fomos construtores de soluções. Não sou daqueles que tem uma postura única, radicalizada em determinado ponto, mas eu gosto de lembrar as questões”.
O deputado fez um chamado à sociedade e ao setor produtivo para que pressionem o governo a corrigir essas falhas e alinhar o Acre ao desenvolvimento nacional. “O Acre seguiu na contramão do país. Enquanto a maioria dos estados reduziu a pobreza, aqui, ela aumentou. Precisamos corrigir esse rumo”.