Pontes para um projeto de integração

O ex-governador Binho Marques publicou recentemente em sua página no Facebook a foto da ponte sobre o rio Juruá. A obra foi construída em seu governo e inaugurada no de Tião Viana, também do PT.

O conjunto de pontes e a pavimentação da BR-364 marcaram um ciclo de vinte anos de governos da Frente Popular no Acre. A Ponte da União se tornou símbolo desse período: não apenas uma estrutura de concreto, mas a expressão de uma política de integração regional articulada com o governo federal.

Entre 2007 e 2010, o governo Binho Marques concentrou esforços em viabilizar a ligação terrestre entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul. O trecho da BR-364 que corta o estado ainda dependia de travessias por balsa nos principais rios: Purus, Tarauacá, Envira, Diabinho e Juruá. A superação desses gargalos ocorreu com um pacote de obras financiado pelo PAC, que somou mais de R$ 245 milhões.

A estratégia foi trabalhar em frentes simultâneas, aproveitando a curta estação seca, o chamado “verão amazônico”. Mesmo sob chuva, avançaram as obras de terraplenagem, pavimentação e fundação das pontes. A logística foi marcada por deslocamento de máquinas, aço e concreto em estradas precárias, em ritmo condicionado pela cheia e pela vazante dos rios.

As travessias

O esforço de integração pela BR-364 não se resumiu ao rio Juruá. Durante o governo Binho Marques, foi lançado um pacote de cinco grandes pontes Purus, Tarauacá, Envira, Diabinho e Juruá, todas articuladas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

  • Rio Purus (Manoel Urbano) — A primeira a ser concluída, entregue em dezembro de 2010. Com 477 metros de extensão, substituiu a balsa na passagem para Manoel Urbano. Batizada de Ponte da Liberdade, marcou a estreia de uma sequência de obras que eliminariam gargalos históricos da rodovia.
  • Rio Tarauacá (Tarauacá) — Teve 95% da obra concluída ainda em dezembro de 2010. Estrutura do tipo extradorso, com estais auxiliando o tabuleiro, a ponte só seria inaugurada em junho de 2011, já no governo Tião Viana.
  • Rio Envira (Feijó) — Em 2009, Binho vistoriou as obras, que avançavam em paralelo à construção de um anel viário de cinco quilômetros, planejado para retirar o tráfego pesado do centro da cidade.
  • Igarapé Diabinho (Feijó) — Menor em extensão, cerca de 81 metros, mas essencial para a continuidade da BR-364 em período de cheia. Fez parte do mesmo pacote iniciado em 2009 e integrado ao anel viário de Feijó.
  • Rio Juruá (Cruzeiro do Sul) — A maior de todas, lançada em 2009 e concluída em 2011, com 550 metros de extensão e torre estaiada de 70 metros, batizada de Ponte da União.

Essas pontes compuseram um mesmo esforço de governo: lançar, contratar e avançar as obras para que a BR-364 se tornasse uma ligação permanente entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Algumas foram entregues ainda no mandato de Binho, outras inauguradas já no governo seguinte, mas todas resultaram de um projeto político e administrativo contínuo.

Em julho de 2009, ao lado do presidente Lula, Binho assinou a ordem de serviço para a construção da ponte sobre o rio Juruá, em Cruzeiro do Sul. Com 550 metros de extensão, quatro pistas e uma torre estaiada de 70 metros, a estrutura tornou-se a maior do Acre. O contrato foi executado pelo consórcio Alto Juruá (Construtora Cidade e Camter), sob orçamento superior a R$ 150 milhões.

A inauguração ocorreu em agosto de 2011, já no governo Tião Viana, reforçando a continuidade administrativa da Frente Popular. Mais do que uma entrega de obra, representou a consolidação de uma estratégia política de integração.

Binho Marques é, por natureza, um mediador. Calmo e equilibrado, soube articular governos, programas federais e demandas locais sem perder o fio da condução. Sua forma de agir lembra a própria ponte que ajudou a erguer: firme, sustentada pelo equilíbrio de forças, ligando margens distintas para que o fluxo coletivo pudesse seguir.

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